O limite de cada um

Recebi uma ligação de um grande amigo, profissional admirado, um cara de resultados, líder habilidoso e uma vasta contribuição para as empresas nas quais já militou. Como intra-empreendedor merece nota 10, em todos os sentidos.

Ele queria conversar, havia saído do médico e o diagnostico é de que estava com principio de depressão por excesso de trabalho.

Meses atrás ele me relatou que a empresa havia passado por uma reestruturação e ele teve que acumular funções.

A equipe de pessoas sob sua gestão havia mais que dobrado e ele não concordava com a nova forma, na visão dele a empresa estava se afastando dos seus valores, o que era muito arriscado para a sobrevivência do negócio.

Naquele dia percebi que ele estava insatisfeito e desmotivado. ( Costumo dizer que a raiva mata mais que o excesso de trabalho)

A conta chegou, a recomendação médica é que ele tire uma licença médica e faça um tratamento para se recuperar, há dias não dorme e não consegue se desligar dos compromissos.

Tentei dizer algumas palavras para confortá-lo, mas nessas horas é muito difícil dar conselhos, é um momento de muita reflexão, rever prioridades e pensar nas alternativas que se construiu para quando chegar a hora de desembarcar, seja num novo emprego ou um negócio próprio, vejo que ele está próximo desse momento.

O que a empresa ganha ao levar profissionais altamente qualificados ao limite da capacidade física e mental?

O custo de perdê-los é maior do que o ganho imediato, será que é tão difícil perceber?

Quantas vezes presenciamos fatos onde o profissional deixa sua vida pessoal em segundo, terceiro plano para atender a um chamado da empresa. Momentos assim eram fatos esporádicos, só que de uns tempos para cá as empresas imprimiram um novo ritmo, trabalhando muito no limite, trafegando acima da linha da normalidade, conduzindo os seus profissionais numa jornada estressante e realizando chamamentos para longas batalhas a todo momento.

Nada de errado em injetar um pouco mais de adrenalina no dia a dia é muito bom, ativa o cérebro e deixa as pessoas mais atentas, se bem planejado cria um novo patamar de produtividade. Vários são os motivos, desde uma ameaça real de um concorrente até o lançamento de um novo produto.

Tudo é válido, desde que a dose de pressão sobre a equipe esteja calibrada e que após momentos de estresses absolutos seja permitido momentos de paz para sua equipe voltar aos trilhos e se preparar para novos desafios.

Manter a sua empresa num clima de constante combate pode ser muito arriscado, o cenário de que a seqüência de batalhas serão intermináveis de agora em diante pode denotar falta de um bom planejamento e ausência de gestão estratégica.

Para quem não tem controle sobre a gestão do seu negócio tudo se apresenta como novidade e em seguida se transforma numa ameaça, provocando reações não planejadas e quase sempre com resultados insatisfatórios.

Profissionais competentes, equilibrados e dotados de bom senso, tem noção do seu real valor e da contribuição que trazem para a empresa e sabem muito bem quando chegou a hora de partir para outra empresa que tenha pelo menos o básico:

- UM MODELO DE GESTÃO ATIVO, PORÉM RACIONAL!!!!

Autor: Sergio Oliveira

Fonte: Blog do Emprendedor (http://blog.blogdoempreendedor.com/)

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